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Babbage ficou famoso
tanto pela perspicácia de sua mente quanto por suas
esquisitices. Durante treze anos, esse gênio excêntrico
ocupou a cátedra de matemática em Cambridge,
que fora de lsaac Newton; no entanto, durante todo esse tempo
ele nunca viveu na universidade nem proferiu ali uma única
conferência. Foi membro fundador da Royal Astronomical
Society, escreveu sobre assuntos que iam de política
a técnicas de manufatura e ajudou a desenvolver dispositivos
práticos como o tacômetro e o limpa-trilhos. |
| Filho de Benjamin
e Elizabeth Babbage, Charles Babbage, nasceu em 26 de dezembro
de 1791 em Teignmouth, Inglaterra. Seu pai, Benjamim Babbage,
era um banqueiro em Londres. Durante sua juventude, Babbage
gostava muito de matemática, especialmente de álgebra,
mas também era bom conhecedor das outras áreas
da matemática de seu tempo. Em 1811, Babbage foi para
"Trinity College", em Cambridge. Ele notou, então,
que sua matemática estava no mesmo nível, senão
melhor, que a matemática de alguns de seus professores.
Babbage, juntamente com Herschel, Peacock e alguns outros,
fundou a Sociedade Analítica, que tinha como objetivo
promover a matemática e reformar a matemática
de Newton. Depois disso, ele lecionou na universidade. Entre
os 20 e 30 anos, Babbage trabalhou como matemático
no campo de cálculo de funções. Em 1816
ele foi eleito membro da Sociedade Real e também se
tornou membro da Sociedade Astronômica (que mais tarde
veio a se chamar Sociedade Astronômica Real) em 1820.
Foi mais ou menos nessa época de sua vida que Babbage
começou a desenvolver interesse por máquinas
calculadoras. Ele conseguiu convencer o governo britânico
a custear a construção de uma máquina
calculadora (máquina diferencial), e esse projeto exigiu
uma grande quantidade de dinheiro. Até que ele desistiu
da máquina e começou a construir uma máquina
ainda mais elaborada que era melhor e mais eficiente que a
primeira. Ele não conseguiu concluir nenhuma das duas
máquinas. Apesar de não ter concluído
seus projetos mais importantes, Babbage foi o primeiro a perceber
que uma máquina computadora deveria consistir em um
dispositivo de entrada, uma memória, uma unidade central
de processamento, e um dispositivo de saída. Ele usava
uma "impressora" como dispositivo de saída
e, como dispositivo de entrada, usava um leitor de cartões
que era inspirado nos cartões perfurados de Jacquard.
Babbage morreu em 18 de outubro de 1871 na sua casa em Dorset
Street, Londres. Seus projetos para a máquina calculadora
foram seguidos por seu filho mais novo, mas ele não
tinha o raciocínio "mecânico" de seu
pai, e consequentemente falhou.
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| Babbage
ficou famoso tanto pela perspicácia de sua mente
quanto por suas esquisitices. Durante treze anos, esse gênio
excêntrico ocupou a cátedra de matemática
em Cambridge, que fora de lsaac Newton; no entanto, durante
todo esse tempo ele
nunca viveu na universidade nem proferiu ali uma única
confe-
rência. Foi membro fundador da Royal Astronomical
Society,
escreveu sobre assuntos que iam de política a técnicas
de manufatura e ajudou a desenvolver dispositivos práticos
como o tacômetro e o limpa-trilhos, que cinge a parte
dianteira dos trens e serve para afastar obstáculos.
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| Dedicava ainda
esforços intelectuais à resolução
de sérios problemas práticos, como as reformas
postais e a redução das taxas de mortalidade.
Mas o motivo que realmente norteava a vida de Babbage era
a busca da precisão matemática. Seu empenho
em localizar erros nas tábuas.de logaritmos que os
astrônomos, matemáticos e navegadores utilizavam
assumia proporções inimagináveis. Nada
escapava de seu zelo. Certa vez escreveu ao poeta AIfred Lord
Tennyson para repreendê-lo por estes versos: "A
Cada momento morre um homem/A cada momento um homem nasce".
Uma vez que a população, do mundo não
se mantém constante, assinalou Babbage, os versos ofereceriam
uma leitura melhor e mais verossímil se fossem estes:
"A cada momento morre um' homem/A cada momento nasce
um homem e um dezesseis avos de homem". Em 1822, Babbage
descreveu, num artigo científico, uma máquina
que poderia computar e imprimir extensas tabelas científicas.
No mesmo ano, construiu um modelo preliminar de sua Máquina
de Diferenças , com rodas dentadas fixadas em eixos
que uma manivela fazia girar. Então ele convenceu a
Royal Society - prestigiosa associação científica
- a apoiar uma proposta dirigida ao governo para que este
subvencionasse a construção de um modelo em
tamanho grande. A máquina, escreveu ao presidente da
Sociedade, encarregar-se-ia do "trabalho intolerável
e monótono" envolvido nas enfadonhas tarefas de
cálculo repetitivo; estas, acrescentava, estão
entre "as mais baixas ocupações do intelecto
humano". A Sociedade julgou seu trabalho "altamente
merecedor de encorajamento público". Um ano mais
tarde, o governo britânico concedeu-lhe l 500 libras
para a realização do projeto. Durante os dez
anos seguintes, Babbage sustentou uma verdadeira luta com
seu embrião de computador. Esperava, originalmente,
terminá-lo em três anos, mas a Máquina
de Diferenças ficava cada vez mais complexa à
medida que a modificava, aperfeiçoava e redesenhava.
Acossavam-no problemas de trabalho, saúde e dinheiro.
Embora a subvenção do governo subisse a 17 000
libras, as dúvidas oficiais acerca dos custos do projeto
e de sua utilidade efetiva também cresciam. Por fim,
as concessões acabaram sendo suspensas. Em torno de
1833, Babbage resolveu deixar de lado seus planos de uma Máquina
de Diferenças. O insucesso, porém, não
o impediu de desenvolver idéias para construir uma
máquina ainda mais ambiciosa. A Máquina Analítica,
ao contrário de sua predecessora, foi concebida não
apenas para solucionar um tipo de problema matemático,
mas para executar uma ampla gama de tarefas de cálculo,
de acordo com instruções fornecidas por seu
operador. Seria "uma máquina de natureza a mais
geral possível" - em nada inferior, realmente,
ao primeiro computador programável para todos os fins.
A Máquina Analítica deveria possuir uma seção
denominada "moinho" e uma outra denominada "depósito,"
ambas compostas de rodas dentadas. O depósito poderia
reter até cem números de quarenta dígitos
de uma só vez. Esses números ficariam armazenados
até que chegasse sua vez de serem operados no moinho;
os resultados seriam então recolocados no depósito
à espera de uso posterior ou chamada para impressão.
As instruções seriam introduzidas na Máquina
Analítica por meio de cartões perfurados. "Podemos
dizer mais convenientemente que a Máquina Analítica
tece padrões algébricos, assim como o tear de
Jacquard tece flores e folhas", escreveu a condessa de
Lovelace, uma das poucas pessoas que compreenderam o funcionamento
da máquina e vislumbraram seu imenso potencial de aplicação.
Augusta Ada Byron, condessa de Lovelace e única filha
legítima do poeta Lord Byron, emprestou seus consideráveis
talentos matemático e literário ao projeto de
Babbage. Com relação à Máquina
Analítica, Babbage declarou que Lovelace "parece
compreendê-la melhor que eu". O interesse e entusiasmo
da condessa de Lovelace ajudaram Babbage a esclarecer suas
idéias e fortalecer sua coragem. No entanto, nem mesmo
ela poderia escrever sobre o problema fundamental da Máquina
Analítica. Se a Máquina de Diferenças
fora uma proposição duvidosa, a Máquina
Analítica era uma impossibilidade prática. Simplesmente
era impossível pôr em movimento as partes que
a compunham. Uma vez terminada sua construção,
a máquina seria tão grande quanto uma locomotiva,
e seu interior, uma intricada massa de mecanismos de relojoaria,
de aço, cobre e estanho, tudo acionado a vapor. O menor
desequilíbrio na menor das partes multiplicar-se-ia
centenas de vezes, provocando na máquina um violento
"derrame". A Máquina Analítica nunca
foi construída. Tudo o que existe dela são resmas
de planos e desenhos, e parte do "moinho" e da impressora,
que o filho de Babbage construiu. Ironicamente, a Máquina
de Diferenças teve um destino um pouco melhor. Embora
o próprio Babbage nunca mais voltasse a ela, um impressor,
inventor e tradutor sueco chamado Pehr Georg Scheutz leu a
respeito do dispositivo e construiu uma versão modificada,
em 1854. A idéia de Babbage para a Máquina Analítica
teria se tornado um computador programável real se
a tecnologia do seu tempo tivesse sido capaz de construi-la.
A Máquina Analítica idealizada por Babbage incluia
5 fatores muito importantes para os computadores futuros :
um dispositivo de entrada; facilidade de armazenar números
para processamento; um processador ou calculador numérico;
uma unidade de controle central para organizar as tarefas
a serem executadas; um dispositivo de saída. Em 1991
o Museu Nacional de Ciência e Tecnologia de Londres
construiu uma máquina usando os planos de Babbage e
as peças disponíveis pra ele na época.
Ela pesava algumas centenas de quilos e operava com uma manivela,
no entanto ainda não calculou uma resposta errada. |
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