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A Microsoft Corporation
foi fundada por Bill Gates e seu colega Paul Allen, em 1975.
O primeiro produto comercial da empresa foi o
BASIC para o MITS Altair ( Micro Instrumentation Telemetry
Systems), produzido no mesmo ano. Atualmente, Gates é
o presidente da Microsoft Corporation e, recentemente, ele
doou quase 1 bilhão de dólares para obras assistenciais,incluindo
200 milhões de dólares para a Gates Library
Foundation. |
William Henry Gates
III, mais conhecido como Bill Gates, nasceu a 28 de Outubro
de 1955, fundou a poderosa Microsoft após abandonar
o curso de economia de Harvard, a mais famosa universidade
americana. Com apenas 19 anos, Bill Gates fundou a Microsoft
em 1975, com o seu amigo Paul Allen. Em 1980 a empresa deu
um passo decisivo ao adquirir à Seattle Computer Products
o sistema operativo 86-DOS, que logo a seguir vendeu à
IBM. Recorde-se que a IBM se preparava para lançar
no mercado o primeiro computador pessoal. Com a frase "um
computador pessoal em cada escritório e em cada lar",
Gates conduziu a Microsoft para todas as áreas da indústria
do software.
Após 23 anos, a Microsoft detém o monopólio
virtual do mercado, com 90% dos PCs ro-
dando seus programas. Tem 25,7 mil funcionários, vai
faturar US$ 15,5 bilhões no ano fiscal que termina
em 30 de junho e possui US$ 10 bilhões no banco. Suas
ações não param de subir e a empresa
está avaliada em US$ 216 bilhões. O início
do império Nos anos 70, os japoneses ultrapassaram
os americanos nas indústrias automobilística
e
eletrônica. Tinha-se a certeza de que era questão
de tempo até Tóquio tornar-se a loco-
motiva econômica mundial. Passadas duas décadas,
o império do sol nascente cambaleia
e os Estados Unidos nunca foram tão prósperos.
Tudo por causa da indústria da informá-
tica, um rolo compressor de US$ 700 bilhões cujo principal
motor se chama Microsoft, a companhia mais rica e poderosa
do ramo industrial mais importante deste final de milênio.
Bill Gates não criou o computador pessoal, mas foi
o primeiro a, ainda adolescente, vis-
lumbrar todo o potencial da futura indústria. Em 1975,
com apenas 19 anos, abriu a Mi-
crosoft e criou um sistema operacional, o DOS. Foi o começo
do maior caso de sucesso empresarial da história americana.
Após 23 anos, a Microsoft detém o monopólio
virtual do mercado, com 90% dos PCs rodando seus programas.
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Tem
25,7 mil funcionários, vai faturar US$ 15,5 bilhões
no ano fiscal que termina em 30 de junho e possui US$ 10 bilhões
no
banco. Suas ações não param de subir
e a empresa está avali-
ada em US$ 216 bilhões. O mercado acredita que tem
potencial para alavancar seu faturamento 15 veses. Esse otimismo
sur-
preendente a transforma na segunda empresa mais valorizada
do mundo (atrás apenas dos US$ 254 bilhões da
GE) e a maior da informática. |
Bill Gates |
Com vendas de US$
78,5 bilhões - ela vale US$ 101 bilhões. Desse
sucesso estratos-
férico resulta que três dos quatro homens mais
ricos do mundo estão ligados à Microsoft.
Paul Allen, seu co-fundador, é o terceiro, com US$
21 bilhões. Steve Ballmer, braço dire-
ito de Gates, é o quarto, com US$ 10,7 bilhões.
William Henry Gates III, o Bill Gates ou simplesmente Bill,
como é chamado pelos funcionários, tornou-se
o homem mais rico do mundo em 1992, com 36 anos, quando suas
ações da Microsoft valiam US$ 5,6 bilhões.
Hoje, os 24% do capital em suas mãos valem US$ 51 bilhões.
Torrando US$ 1 mil por minuto, 24 horas por dia, 365 dias
por ano, levaria 95 anos para quebrar. Cifras em risco Mas
não se engane com cifras tão escandalosas. O
império Microsoft nunca correu tanto
risco quanto hoje. O Departamento de Justiça americano
(DOJ) tem que decidir se a Mi-
crosoft pode ou não usar a força do seu monopólio
para promover o Explorer e abocanhar
o mercado de navegadores, 60% do qual está nas mãos
da Netscape. No fundo, essa es-
tratégia não tem nada de nova. A Microsoft sempre
embutiu nas atualizações do Windows programas
similares aos dos concorrentes, para invariavelmente excluí-los
do mercado. Mas agora o DOJ acha que Gates foi longe demais.
Caso a decisão final de Washington seja contra a Microsoft,
ela terá que vender uma versão do Win00 sem
o Explorer. Será a
perda de uma batalha. E a criação de um precedente
perigosíssimo. Em questão de me-
ses, acuada pelos concorrentes, a Justiça pode ir contra
o próprio monopólio do Windows. O negociador
imbatível e competidor voraz No primeiro, o DOJ decide
que não há truste e
deixa Bill Gates em paz.No segundo, os federais podem exigir
que a Microsoft pare de em-
butir novos programas no Windows e os venda separadamente.
Ou transformar o código de programação
do Windows, hoje protegido por copyright, em domínio
público. O terceiro cenário é o mais
sombrio, o mais drástico. Seria repetir as ações
de 1911, que retalhou a companhia petrolífera Standard
Oil nas "sete irmãs" (Esso, Atlantic, Mobil,
Texaco etc.), e de 1983, que dividiu a todo-poderosa AT&T
em sete empresas de telecomunicações, as chamadas
Baby Bells. |
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Nessa hipótese,
a Microsoft poderia ser dividida em duas. Uma em-
presa venderia os sistemas operacionais Win e NT e a outra
progra-
mas aplicativos como o Word e o Office. Mas, ao fazer isso,
Washin-
gton não estaria matando a galinha dos ovos de ouro
responsável pe-
la prosperidade da América nos anos 90? E Bill Gates
se aposentaria como John Rockfeller ao perder a Standard Oil
ou continuaria tocando
uma das Baby Softs?Qual delas? Com certeza a do Windows. Não
es-
taria aberta a oportunidade para esse negociador imbatível
e compe-
tidor voraz reascender ao topo do mundo A Política
Empresarial de Gates. |
As consequências
dessa valorização absurda levaram a empresa
a abolir em 1990 a ve-
nda de três mil ações a cada novo funcionário.
É que em 1990 os empregados desde 86
poderiam vender seu lote. A Microsoft corria o risco de
sofrer uma fuga de cérebros, com milhares de pessoas
pedindo as contas para pendurar as chuteiras pelo resto
da vida ou
pior: abrir a sua própria Microsoft. A partir de
1991, cada novo legionário do império Mi-
crosoft que fosse trabalhar nas áreas de software
e marketing passou a receber 1.800
ações. No ano seguinte, o total baixou para
1.100. Para cada ano de permanência na em-
presa, se teria direito a um novo lote, vencendo numa data
diferente do anterior. Isso to-
rnou a Microsoft a empresa de menor rotatividade de mão-de-obra
de toda a indústria,me-
smo pagando os menores salários. A não ser
que seja demitido, ninguém sai de lá. É
uma
política de recursos humanos maquiavélica.
A empresa não revela o número de funcioná-
rios que se tornaram milionários, mas são
milhares Uma brasileira no caminho de Bill Gates Pergunte-se
a Bill Gates, o homem mais rico do mundo, como conheceu
a paulista Cristina Boner e ele se lembrará de uma
cena espantosa. Em fevereiro de 1996, Gates estava no 24
andar de um prédio em Brasília, participando
de uma reunião com diretores do Banco do Brasil.
Quando olhou pela janela, viu passar um teco-teco com uma
faixa
atada à cauda em que se lia: "Wellcome, Bill
Gates. TBA". Ele interrompeu a reunião,cha-
mou um assessor e perguntou: "O que é TBA?",
No dia seguinte estava diante de Cristi-
tina, dona de uma empresa de informática na capital
federal. O encontro foi o primeiro de quatro ocorridos nos
últimos dois anos-três deles nos Estados Unidos.
"Quando soube que ele viria ao Brasil, contratei o
avião e dei ordens ao piloto para que sobrevoasse
o prédio até ser notado", conta Cristina.
"Ele ficou tão curioso que pediu para me chamar
no escritório marcando uma reunião para o
dia seguinte." Esse é também o capítulo
mais meteórico que transformou uma ex-funcionária
numa estrela no mundo dos computadores
no Brasil. Seis anos atrás, Cristina Boner, hoje
com 38 anos e separada do marido, esfal-
fava-se para sustentar a casa e as três filhas. Acumulava
dois empregos, que lhe rendiam cerca de 5.000 reais pôr
mês. Decidiu, então, dar uma guinada. Largou
o serviço público
e criou a TBA Informática, uma empresa de fornecimento
de programas para computa-
dores. Nos primeiros seis meses, quando a firma ainda funcionava
numa sala de 40 me-
tros quadrados, teve de vender seu automóvel Gol,
para pagar o salário dos dois empre-
gados. De lá para cá, o sucesso foi estrondoso.
Neste ano, a previsão de faturamento é de
100 milhões de reais-20.000 vezes o salário
que moça ganhava seis anos atrás. Hoje, a
TBA é a 45 maior empresa privada de informática
do país. É um desempenho e tanto num mundo
povoado pôr tubarões do porte de IBM, Xerox,
Microsoft, Unisys e Oracle. Guerra
Santa e mail interceptado O caso dos promotores federais
e estaduais está bem funda-
mentado. Uma das peças mais desconcertantes é
a série de documentos oficiais e men-
sagens eletrônicas trocadas entre os altos executivos
da Microsoft que foram intercep-
tadas pêlos promotores. As mensagens referem-se ao
Netscape, o programa de navega-
ção na Internet concorrente, e à linguagem
Java, uma invenção da Sum Microsystems que,
se implementada totalmente, tornaria o Windows uma peça
de sofrware ultrapassada. Uma das mensagens descreve a batalha
da Microsoft pela conquista de mais espaço para seus
produtos na Internet como uma "jihad", termo que
em árabe significa "guerra santa" e que,
na tradição muçulmana, só acaba
com a eliminação física de todos os
infiéis. "sem usar a força que temos
com o Windows não vamos conseguir acabar com o Netscape",
diz uma Segunda mensagem. |
Além
das mensagens, os promotores botaram as mãos num
do-
cumento provando que a Microsoft tentou "montar uma
conspi-
ração" com o concorrente Netscape para
partilhar a Internet e
barrar as chances de qualquer outra companhia de se estabe-
lecer na rede. Só depois que os executivos da Netscape
rebar-
baram a oferta, a Microsoft teria decidido pela tática
de eliminá-
los do negócio, ofe-recendo seu Explorer de graça,
como parte integrante e indivisível do Windows. São
argumentos fortes, sem dúvida. Quando se ouve a defesa
de Bill Gates, porém, entende-
se pôr que os juizes até hoje nunca tomaram
uma decisão drás-
tica contra a Microsoft. |
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Gates sustenta
que não está tentando empurrar o Explorer goela
abaixo dos usuários,
contra a vontade deles. Segundo o dono da Microsoft, em todas
as pesquisas encomen-
dadas pela empresa os internautas mostram-se muito satisfeitos
com o desempenho do Explorer e gostariam que ele fosse cada
vez mais intimamente integrado ao Windows. "A tendência
natural do desenvolvimento de programas é torná-los
mais fáceis de usar e mais barato", argumenta
Gates. "É só o que fazemos." O segredo
do sucesso de Gates.
Ele está coberto de razão nessa questão.
Nenhuma empresa contribui tanto para a me-
lhoria da eficácia e o barateamento dos programas de
computador. Exatamente pôr ser eficiente e satisfazer
a seus usuários é que a Microsoft se transformou
num esplendoroso
sucesso comercial e industrial. Os promotores, porém,
acham essa discussão secundá-
ria. Eles não estão questionando os méritos
dos produtos de Gates. Em vez disso, acham que o sucesso exagerado
de sua empresa está contribuindo para, a longo prazo,
matar inovações que poderiam estar surgindo.
Inovações que não têm chance de
ver a luz pôr
causa da sufocante supremacia da Microsoft no mercado. "Queremos
assegurar que no-
vas Microsoft surjam", diz o procurador Blumenthal. Talvez
ele esteja certo. Talvez Bill
Gates não fosse o bilionário que é se,
em 1969, as mesmas forças antimonopólio do go-
verno americano não tivessem colocado todo o seu peso
contra a IBM, a então empre-
sa dominante do mercado de computadores nos Estados Unidos.
Naquele ano, o governo conseguiu que a justiça proibisse
a IBM de fabricar simultaneamente as máquinas e o sistema
operacional, o programa-mãe, de seus computadores.
Com a proibição, a IBM foi obrigada a buscar
fornecedores alternativos de sistemas operacionais. Anos mais
tarde, ela encomendaria um sistema operacional, o DOS, a um
jovem ambicioso, míope e ruivo, Bill Gates. Talvez
agora seja a vez de Gates ir procurar outros Gates no mercado.
Milionário e Escritor Em seu primeiro livro, Bill Gates
usou a expressão "capitalismo sem força
de atrito" para mostrar a contribuição
que um dia teria a Internet na criação do mercado
idealizado há dois séculos pôr Adam Smith
(A riqueza das nações), no qual o comprador
e o vendedor podem se encontrar facilmente, sem perder muito
tempo nem
gastar muito dinheiro. Ele acha que esse momento chegou, já
existem software no merca-
do que ajudam o usuário a encontrar as melhores ofertas
produtos e serviços. Os consu-
midores poderão, também, se unir eletronicamente
para obter descontos pôr volume de compra. "Vai
ser uma cena e tanto: o software que representa o vendedor
negociando preços com o software de centenas ou milhares
de consumidores. Bom, se esse software
for da Microsoft, é certo que Bill Gates vai achar
ainda mais fantástico. Entre as catego-
rias de crescimento rápido no comércio on-line
estão finanças e seguros, viagens, leilões
e vendas de computadores, segundo o autor. "Até
mesmo estimativas mais conservado-
ras projetam uma Ta de crescimento total de negócios
on-line em cerca de 45%. As projeções mais altas
são de US$ l,6 trilhão no ano que vem. Acho
esse número demais", afirma ele com uma convicção
espantosa. WebGates Mas, para que o jeito Web de fazer negócios
realmente dê certo terá que haver a contrapartida
do consumidor. E é aí que entra o que Gates
denomina o jeito Web de viver. "dentro de uma década,
a maioria dos americanos e muito mais gente em todo o mundo
estarão levando o estilo de vida Web." Que já
é uma realidade para 40 milhões de americanos,
"22 milhões a mais do que em 1997". Entre
as várias histórias que Bill Gates conta de
empresas que tiveram sucesso com a adoção rápida
da Internet (e de alguns programas da Microsoft, é
claro) e do estilo Web de fazer negócios - quase todas
americanas - ele destaca a do Bradesco. Lembra que a instituição,
com 2.200 Agências, US$68,7 bilhões em ativos
e atendendo a três milhões de pessoas pôr
dia, foi o primeiro banco do Brasil - e o quinto do mundo
a usar a
Internet para oferecer serviços bancários. O
autor também conta que os serviços bancá-
rios on-line "pegaram mais rápido no Brasil do
que em qualquer outro país". |
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Ele cita textualmente
um dos diretores do banco, Alcino Rodri-
gues Assunção, ao destacar o surgimento de lojas
virtuais na
Web, cujas transações são feitas com
a intermediação do ban-
co. Gates dedica um capítulo inteiro às más
notícias. Segundo ele,. Elas devem viajar dentro da
empresa tão rápido quanto as
boas. "Tenho um instinto natural para perseguir notícias
desa-
gradáveis." Diz também que uma das qualidades
essenciais do
bom administrador é a determinação de
enfrentar as más notí-
cias, "de buscá-las, em vez de negá-las".
Navegar é preciso Para reforçar essa crença,
ele lembra a primeira grande crise interna da Microsoft, em
1995, provocada justamente pelo crescimento repentino da Internet.
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Sua empresa havia acabado de lançar
com todo o estardalhaço o Windows 95. Sem con-
tudo, qualquer ferramenta voltada para a Web. Vários
especialistas, lembra, previram que a Internet iria acabar
com a Microsoft. "isso era má notícia em
escala colossal. Usamos
nosso sistema nervoso digital para reagir àquela crise."
Um ano depois, Gates virou o jo-
go, com o lançamento de vários produtos para
a Web, inclusive seu navegador Explorer. Curiosamente, em
nenhuma parte de todo o livro Gates faz menção
ao processo que sua empresa sofre pôr parte do Departamento
de Justiça de seu país. É, sem dúvida,
uma má notícia ainda sem solução
à vista. Os negócios vão mudar mais nos
próximos dez anos do que mudaram nos últimos
50. Essa, pelo menos, é a previsão de um dos
homens que mais enriqueceram fazendo negócios nos últimos
24 anos. Bill Gates, o polêmico e controverso presidente
da Microsoft, diz que essa mudança repentina vai ocorrer
porque o fluxo digital de informações será
tão rápido que obrigará as empresas a
trabalhar na "velocidade do
pensamento" para competir no mercado. Essa é a
idéia básica que ele defende com rique-
za de detalhes em seu novo livro "A empresa na velocidade
do pensamento (Companhia
das Letras, 445 Págs., R$30), que terá lançamento
mundial nesta A obra é quase um
manual de sobrevivência para uma nova fase da economia
mundial, que Gates diz já Ter começado, totalmente
baseada e dependente da grande teia de comunicação
que hoje
interliga milhões de computadores em todo o mundo,
a Internet - seu produto para nave-
gá-la, ironicamente, motivou o processo antitruste
que o governo americano move contra a Microsoft. O livro relata
vários casos de sucesso de empresas que saíram
na frente na adoção do que ele chama de "estilo
Web de trabalho" e estão ganhando muito dinheiro
com isso, inclusive o banco brasileiro Bradesco, que mereceu
mais de duas páginas de texto. Sobre o Livro Gates
conta que teve a idéia de escrever esse livro há
dois anos, momentos antes de fazer uma palestra para executivos.
Pensando no que iria dizer, surgiu um novo conceito em sua
cabeça: "sistema nervoso digital". Assim
como o sistema humano. O digital permitiria a qualquer empresa
reagir instantaneamente aos desafios dos concorrentes e às
necessidades dos clientes. "um sistema nervoso digital
exige uma combinação de hardware e software;
distingue-se de uma mera rede de computadores
pela precisão, imediação e riqueza das
informações que traz aos profissionais do conhe-
cimento." Diferentemente de seu primeiro livro, A estrada
do futuro - mais generalista sobre os benefícios da
revolução da informática (vendeu 2,5
milhões de exemplares em 25 línguas desde o
lançamento em 1995), este é mais dirigido aos
donos de empresas, líderes e gerentes de todos os níveis,
embora não seja um texto técnico. Para que uma
empresa faça negócios na velocidade do pensamento,
o fluxo de informações digitais tem que "maximizar
as capacidades do cérebro humano e minimizar o trabalho
braçal" de seus funcionários, defende Gates.
"Você só saberá que montou um excelente
sistema digital quando as informações fluírem
pôr sua organização de um modo tão
rápido e natural quanto o pensamento", advoga
o dono da Microsoft. E um dos requisitos para que isso funcione
assim é ter um escritório "sem papel".
Hoje, diz ele, temos todas as peças no lugar para tornar
realidade essa visão futurista. Contudo, lembra, o
consumo de papel continua a dobrar a cada quatro anos, e 95%
de toda a informação nos Estados Unidos continua
em papel. Chocado com essa realidade dentro de sua própria
empresa, Gates diz que exerceu as prerrogativas de seu cargo
e mudou tudo. Um programa rigoroso de migração
do papel para o meio digital produziu em poucos meses entre
1997 e 1998 uma
economia de US$ 40 milhões na Microsoft. No entanto,
ele acredita que essa transfor-
mação só será completa quando
os centros de pesquisa da Xerox, MIT e da própria Microsoft,
conseguirem produzir uma tela plana tão fina, flexível
e legível quanto o papel. "E isso está
mais próximo do que você imagina", garante.
O QUE ESTÁ EM JOGO Com o Windows, Bill Gates colocou
a Microsoft em 85% dos 250 milhões de computadores
pessoais existentes no mundo. Com o Explorer, programa de
acesso à Internet vendido junto com o Windows a Microsoft
já tem metade das vendas de programas de navegação
na rede. Seus concorrentes e o governo americano dizem que
suas táticas são desleais e Têm como objetivo
o monopólio do mercado de computadores. Em 1995, a
Microsoft e o Departamento de Justiça haviam feito
um acordo pelo qual Gates não poderia usar sua
vantagem com o Windows, então já hegemônico,
para forçar os, fabricantes de computa-
dor a instalar o Explorer em sua máquinas. O empresário
jurou que nada faria nesse sentido, mas mudou de opinião
quando percebeu que não conseguiria facilmente convencer
os internautas a trocar de navegador. Na época, o programa
líder de mercado era o Netcape Navigator. Sua estratégia
de pressão foi a mais direta possível. Gates
começou a distribuir o Explorer gratuitamente e mandou
um recado aos fabricantes de computador: só iria licenciar
o Windows para quem levasse seu navegador junto. Em dois anos
o Explorer saiu do nada e ganhou 50% do mercado. O Netscape,
que estava em 70% dos computadores ligados à Internet,
teve sua participação reduzida a 43%. Agora
Gates está quebrando pela Segunda vez sua palavra.
A integração completa do sistema operacional
com o navegador está prevista para o Windows 98, que
deve ser lançado ainda no primeiro semestre deste ano.
Assim como o Windows 95 trazia embutido um editor de texto
a versão 98 já deve Ter o Explorer acoplado,
Bill Gates pode Ter o mesmo papel para o mundo da informática
que a besta do Apocalipse tem no Novo Testamento: será
o fim , exagera o presidente da Sociedade Brasileira de Computação,
Silvio Meira. Às vésperas de ver seu melhor
produto saindo do forno, Gates tem de enfrentar a ação
antimonopólio do Departamento de Justiça, que
gostaria de ver reduzida a importância da Microsoft
no mercado de informática. O debate faz lembrar um
exemplo recente da lei Antitruste americana, promulgada no
início do século para promover a competição
na economia mais aberta do planeta. Em l983, também
sob a acusação de monopólio, a
companhia telefônica Bell System foi obrigada a vender
partes da empresa, que resulta-
ram no surgimento de outras sete companhias. O maior problema
do governo americano é que todo o setor de informática
tem perfil monopolista - em cada uma de suas diferentes áreas,
existem empresas que dominam pelo menos 80% do mercado. É
o caso da Intel (fabrica de chips, os cérebros microscópicos
dos computadores), da Cisco (que produz equipamento de controle
de tráfego da Internet) e da IBM (montadora de computadores).
Todas assistem com atenção à disputa
travada nos tribunais, já que, depois de encerrada
a briga com Gates, a polêmica poderá voltar-se
contra elas. A decisão da Justiça americana
sobre a ação contra a Microsoft deve sair em
maio - até lá, pelo menos, o homem mais rico
do mundo terá de ficar muito atento às tortas
voadoras.
Fonte: Marcia Britto Redação Zog
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