Ela colou uma mariposa com fita adesiva em seu meticuloso relatório, carinhosamente chamado de "diário de bordo". Nele constava o primeiro caso real de inseto (bug) a ser encontrado. Seu relatório virou literalmente relíquia de museu.As habilidades e a forte personalidade dessa mulher foram fundamentais para a criação da linguagem COBOL.

A ciência da computação é, em geral, considerada uma área estritamente masculina. No entanto, as mulheres estão conquistando seu espaço também no desenvolvimento a na aplicação de computadores. Uma pioneira nesse campo foi a americana Grace Hopper, com contribuição significativa na área de software - ela criou o compilador a ajudou a inventar a linguagem COBOL. Também foi a primeira pessoa a isolar um erro no computador e corrigi-lo -ou "debugá-lo", no jargão dos especialistas- com êxito.
Após concluir o curso de pós-graduação em Yale, Grace Hopper voltou a sua universidade de origem, em Vassar, como professora de Matemática. Permaneceu no cargo até os 39 anos, quando a convocaram, em conseqüência da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, para trabalhar no projeto de computação da Marinha. Em 1945 foi enviada à Universidade de Harvard para assessorar o físico Howard Aiken. Ele já havia apresentado à IBM, em 1937, a idéia de construir um computador usando equipamento de tabulação adaptado. Seu primeiro projeto, embora mecânico, obteve êxito e conseguiu animar a IBM a investir num modelo aperfeiçoado que funcionaria com relés eletromecânicos. A máquina então desenvolvida ficou conhecida como Harvard Mark II.


Nessa época, para programar um computador, era necessário enrolar sua fiação a cada nova tarefa. Assim, no verão de 1945, Grace Hopper viu-se literalmente emaranhada em seu trabalho. Urgentes serviços de computação para balística faziam-se necessários para o esforço de guerra, e Aiken costumava entrar na oficina cobrando: "Por que você não está fazendo números, Hopper-" Após uma pane complicada do computador, quando se descobriu que o problema tinha sido uma mariposa que entrara pela janela a fora morta pelo interruptor de um relé, Grace respondeu: "Nós estamos tirando "bugs" da máquina!" (bug, em inglês, significa inseto e passou a ser usado como sinônimo de -erro-, em computação).

Grace Hopper

Esse primeiro bug registrado foi cuidadosamente removido do relé com uma pinça e está preservado no Museu Naval, em Virgínia, junto ao Livro Diário do Harvard Mark II. Foi inscrito no registro de entrada, às 15h45, em 9 de setembro de 1945.

Linguagem de programação

Nesse mesmo ano, outro computador, o ENIAC, estava sendo construído pelos engenheiros John Mauchly e Presper Eckert. Após a guerra, ambos montaram um negócio próprio para fabricar a versão comercial da máquina a convidaram Grace para juntar-se à equipe. A principal contribuição dela para o desenvolvimento desse computador, o UNIVAC (UNIVersal ACcounting machine), foi na criação de seu software. Enquanto tentava desenvolver programas para uso comercial no UNIVAC, Grace descobriu meios de não reescrever certas sub-rotinas repetitivas. Empregando a idéia, considerada notável na época, de que um computador podia escrever seus próprios programas, Grace criou a primeira linguagem de programação, junto com o compilador necessário para traduzi-la em linguagem de máquina, que recebeu o nome de "A-O". Quando esse compilador foi apresentado, causou incredulidade entre os especialistas. Eles achavam que suas máquinas só podiam fazer contas a manipular símbolos. Ficaram surpresos ao ver um computador pular para uma sub-rotina em sua biblioteca de armazenamento, ao encontrar um verbo no modo imperativo no começo do que parecia ser uma frase quase normal em inglês.
Em maio de 1959, Hopper (que tinha patente de capitão) foi convidada pelo Pentágono para fazer parte do grupo que trabalhava na criação e padronização de uma linguagem simples para computadores de uso comercial. Em menos de um ano, produziu-se a primeira versão do COmmon Business Oriented Language (COBOL). Grace contribuiu bastante para o trabalho, aproveitando o que havia de melhor em cada linguagem existente. Criou-se assim uma linguagem aceitável para a indústria, por sua simplicidade. Uma prova do sucesso é a sobrevivência do COBOL até hoje.

Fonte: http://cobit.mma.com.br/precursores/grace_hopper.htm

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